Banco Master: entenda o caso e conheça a história da instituição

Escândalo ganhou força em novembro, com a prisão de Daniel Vorcaro e a liquidação do Master pelo BC

Banco Master: entenda o caso e conheça a história da instituição
Foto: Reprodução/Internet

Em 18 de novembro de 2025, o BC (Banco Central) decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master. Esta é a medida mais extrema tomada em um caso de grave crise de liquidez e indícios de irregularidades financeiras.

A decisão está relacionada à Operação Compliance Zero, que resultou na prisão preventiva do dono da instituição, Daniel Vorcaro, em Guarulhos, enquanto tentava embarcar para Dubai.

Segundo a Polícia Federal, as investigações começaram em 2024, depois que o Ministério Público Federal requisitou a apuração de uma possível fabricação de carteiras de crédito falsas por uma instituição financeira.

Mas o caso ganhou notoriedade um pouco antes disso. A mídia ficou em cima quando, em março de 2025, o Banco Central barrou a compra do Master pelo BRB (Banco de Brasília). As justificativas foram a situação financeira e a qualidade dos ativos do Banco de Vorcaro, que representavam risco para o comprador e para o setor financeiro.

O que é liquidação extrajudicial?

A liquidação extrajudicial é um procedimento administrativo usado para encerrar, de forma organizada, as atividades de instituições financeiras que enfrentam grave crise.

O regime é aplicado quando a situação financeira da instituição se torna insustentável. Segundo o Banco Central, o objetivo principal é proteger depositantes, credores e o próprio sistema financeiro, evitando prejuízos maiores ou uma falência desordenada.

STF e ano eleitoral

Em dezembro de 2025, o escândalo deixou os tribunais de primeira instância de Brasília e de São Paulo, para ser julgado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), já que algumas autoridades com foro privilegiado — ou seja, políticos — poderiam estar envolvidos.

Além desses, nesta segunda (26), foi confirmada a informação de que um encontro — em dezembro de 2024, no Palácio do Planalto — entre Lula, Guido Mantega, Daniel Vorcaro, Rui Costa, Alexandre Silveira, Gabriel Galípolo e o então CEO do Master, Augusto Lima, não estava na agenda presidencial.

O ministro Dias Tofolli foi quem concentrou a relatoria e as decisões do caso. Isso causou mais polêmicas, já que ele pode ter alguns conflitos de interesse.

Resumidamente, dois irmãos do Toffoli, José Carlos e José Eugêncio, foram sócios do resort Tayayá — entre dezembro de 2020 e fevereiro de 2025. O empreendimento, em 2021, teve uma fatia da participação vendida a um fundo de investimentos que, segundo apuração do Estadão, tinha como dono o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do banco Master.

Will Bank

Ainda em janeiro, outro banco teve uma liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central, o Will Bank, braço do Grupo Master que atendia a consumidores de menor renda, principalmente da região Nordeste.

Segundo o BC, após a liquidação do Master, o Will Bank passou a operar sob um regime especial de administração temporária.

Nesse período, o BC assumiu o controle da instituição com o objetivo de preservar a operação, evitar impactos imediatos aos clientes e tentar uma solução que permitisse sua continuidade, como à venda para um novo investidor.

História do Master

O escândalo que envolve o Banco Master não começou com a operação da Polícia Federal e nem com a liquidação determinada pelo Banco Central. Na verdade, o mercado acompanha a instituição há anos.

Em 1974, o Banco Máxima foi fundado em São Paulo e focou inicialmente em crédito imobiliário. Porém, em 2016, o Banco Central inabilitou a instituição por gestão fraudulenta e rombo de caixa.

Ainda naquele ano, o então dono do banco Saul Sabbá ofereceu o Máxima a Daniel Vorcaro. O empresário procurou os irmãos Conte para propor uma sociedade.

Mas, como o banco estava quebrado, eles precisaram desembolsar uma quantidade de dinheiro suficiente para fazer o Máxima voltar a funcionar.

Assim, Vorcaro assumiria a gestão em 2018. Em 2021, depois de pedir autorização do Banco Central, a instituição muda o nome para Banco Master.

Para escalonar o novo empreendimento, a gestão de Vorcaro apostou em investimentos de alto risco, como empresas em crise e altas taxas de juros em CDBs (Certificados de Depósito Bancário). Em muitos dos casos, o Master oferecia 130%, enquanto o padrão do mercado, normalmente, é 110% do CDI.

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