Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
O relatório final que a PF (Polícia Federal) usou para indiciar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seu filho Eduardo Bolsonaro (PL-SP) revelou mensagens de WhatsApp que reverberaram nas redes sociais, nesta quarta-feira (20).
Elas mostram desentendimentos entre o ex-governante e seus aliados mais próximos, como o pastor Silas Malafaia, que foi proibido, pelo STF (Supremo Tribunal Federal), de se comunicar com Bolsonaro e de deixar o país.
Entre as mensagens e os áudios de WhatsApp estudados pelas autoridades, estão algumas de Eduardo insultando o pai. “VTNC SEU INGRATO DO CARALH*!”

Ele também criticou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), por ir à embaixada dos Estados Unidos no Brasil. “Tarcísio nunca te ajudou em nada no STF. Sempre esteve de braço cruzado vendo você se fod*r”, diz.
O deputado federal também tenta se afirmar como o interlocutor exclusivo com os EUA, dizendo que só ele e o jornalista Paulo Figueiredo teriam acesso à Casa Branca, demonstrando preocupação de que a participação de outras autoridades pudesse atrapalhar suas estratégias.
Além do filho, Bolsonaro também ouviu reprovações de Malafaia sobre o encontro do governador de São Paulo com o encarregado de negócios Gabriel Escobar, da embaixada. “Se Tarcísio foi à embaixada americana a pedido seu, você cometeu o maior erro político da sua vida.”
O pastor ainda criticou Eduardo, chamando-o de “babaca inexperiente” e alertando sobre possíveis erros que beneficiariam o presidente Lula. As conversas incluem ainda orientações sobre entrevistas, declarações públicas e tarifas impostas pelos EUA.

Conclusões da PF
Para a Polícia Federal, pai e filho agiram de forma coordenada para pressionar autoridades brasileiras e buscar apoio externo, incluindo estratégias envolvendo sanções internacionais, como as taxações e proibições aplicadas ao STF.
O relatório evidencia conflitos internos e articulação política internacional, e o processo agora entra em fase decisiva a partir de setembro, quando a Justiça analisará as evidências e definirá os próximos passos.
Nesta quinta-feira (21), a PF afirmou que já reservou uma cela temporária para receber o ex-presidente, caso seja decretada sua prisão em regime fechado.
O espaço está no térreo da Superintendência da PF no Distrito Federal, no Setor Policial de Brasília.
O espaço foi improvisado e preparado com banheiro, cama, mesa de trabalho, cadeira e televisão, no mesmo modelo que abrigou o presidente Lula (PT), na Superintendência da PF no Paraná, em Curitiba, em 2018 e 2019.

